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domingo, 18 de setembro de 2011

DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTRA A EXCLUSÃO TECNOLÓGICA

Tivemos, nas duas últimas décadas, uma verdadeira revolução tecnológica, que modificou de forma profunda as relações sociais e econômicas do planeta. Ao mesmo tempo em que ingressamos no século XXI, com grandes avanços científicos e tecnológicos, temos ainda 1/3 da população mundial vivendo na pobreza: milhões de famintos, analfabetos, desempregados, sem terra, sem teto. Excluídos da chamada "Aldeia Global".

Esta muralha que separa a pobreza ainda existente do século XIV e o avanço tecnológico do século XXI aumenta ainda mais as responsabilidades dos setores populares em se contraporem à exclusão tecnológica e à manipulação da mídia, da informação e do conhecimento por parte dos grupos dominantes. O desenvolvimento tecnológico e científico deve estar direcionado para o desenvolvimento humano, para atender as necessidades humanas.

A luta pela democratização dos meios de comunicação passa não apenas pelo acesso a estes meios, mas pela construção de novas formas de utilização com vistas a transforma-los em ferramentas de construção de valores éticos e humanos assumindo seu papel estratégico de formar, informar e disseminar conhecimento.

Trata-se, ainda, por possibilitar às pessoas desenvolverem suas capacidades para uma leitura crítica da realidade que é apresentada pelos meios de comunicação de massa. Tornando-se também capazes de se contrapor de forma articulada aos valores distorcidos e massificantes que são transmitidos por esses meios. O maior problema que enfrentamos hoje, nesta "sociedade da informação", não está no acesso à informação, mas na maneira como filtramos, processamos e aplicamos essa informação e o conhecimento adquiridos.

Sendo assim, devemos capacitar a comunidade e principalmente os jovens, em várias mídias e linguagens técnicas e artísticas - alternativas e alterativas -, tais como: fotografia, vídeo, rádio, impressos, computadores e internet. Ou seja, promover o domínio, por parte dos jovens, dessas tecnologias, enquanto uma ferramenta de empoderamento com vistas a construir uma sociedade socialmente justa. Formar comunicadores populares jovens comprometidos com a disseminação desses princípios entre eles mesmos e em suas comunidades, possibilitando ao mesmo tempo uma abertura para o mundo e um olhar para sua identidade. A globalização e a sociedade planetária devem ser construídas com base no respeito à identidade e cultura do local e do particular.
A exclusão tecnológica deve ser combatida não apenas através da instalação de computadores ou da garantia do acesso à internet. Mas a partir da construção de uma nova visão das novas tecnologias e da comunicação. É preciso articular nossas ações e transformar estas máquinas em ferramentas de cidadania, se contrapondo ao "monopólio da fala", à censura e à visão mercadológica excludente hoje presente nos meios de comunicação de massa.

Qualquer estratégia de combate à pobreza, passa necessariamente pela garantia aos jovens do acesso à tecnologia, à informação e ao conhecimento e ao domínio de habilidades para utilizá-las em seu próprio benefício.

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