Essa "sociedade de mercado" regida pela lógica do individualismo e do consumo tenta subverter e restringir a noção de cidadania à inserção no mercado de consumo.
Existem hoje no mundo mais de 800 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, na América Latina todo ano milhares de crianças morrem de causas evitáveis. Milhares de pessoas ainda não têm água tratada, nem banheiros. No Nordeste do Brasil mais de 45% da população vivem em situação de pobreza.
A política econômica atual orientada pelo projeto neoliberal promove uma abertura comercial absoluta e a mobilidade irrestrita do capital financeiro e produtivo, que destrói as economias locais. Defende a redução do papel do Estado, sem apresentar alternativas de mediação de interesses e conflitos e a flexibilização de direitos trabalhistas e sociais. O Fundo Monetário Internacional, representante dos interesses dos grandes credores internacionais, impõe aos países periféricos, metas socialmente impraticáveis para o pagamento das suas dívidas externas. O que temos é o agravamento da situação de pobreza, o aumento da miséria, da fome, da doença, da exclusão no mundo, com a instalação de uma crise social sem precedentes.
Enfim, já está mais que provado que a redução da pobreza não virá como uma conseqüência natural do aumento da riqueza, mas com a garantia do acesso a bens e serviços, à participação política e pela justiça social.
Os movimentos sociais têm denunciado a perversidade desse modelo e buscado alternativas de reação nos níveis locais, nacionais e internacionais. Nesse contexto as organizações da sociedade civil têm se constituído em um ator político importante, pela sua agilidade em dar respostas, pela capacidade de formulação, pela mobilização social que geram. Um momento recente de articulação internacional foi a primeira reunião do Fórum Social Mundial que ocorreu em Porto Alegre, em janeiro de 2001, no qual mais de 10.000 representantes de organizações não governamentais, partidos políticos, sindicatos, igrejas, etc, discutiram alternativas de combate à pobreza e de inclusão social.
Com o reconhecimento público, por parte do Banco Mundial e do FMI, da responsabilidade dessa política neoliberal pelo aumento da pobreza no mundo, estas e outras instituições têm incluído em suas pautas a necessidade de investimentos sociais para o combate à pobreza. Porém, continuam por manter a mesma política de desenvolvimento baseada apenas no mito do crescimento econômico.
No Brasil, os dados recentes relativos à pobreza, desigualdade social e crescimento econômico mostram o fracasso no combate à pobreza e da política econômica do governo federal baseada nesse modelo. Para a erradicação da pobreza é preciso implantar uma política econômica que seja guiada por uma agenda social.
Apesar de muitas das causas da pobreza serem determinadas pela macro-economia, sua superação não é tarefa apenas dos órgãos governamentais ou dos partidos políticos; é um desafio e uma responsabilidade de toda a sociedade, de todo cidadão. Não depende só do capital financeiro, mas do investimento em outros capitais: humanos, naturais, institucionais, políticos, cognitivos, culturais etc, que precisam ser identificados e potencializados no âmbito local. Nas cidades, nos bairros, nas comunidades rurais, dentre outros.
Pressupõe o envolvimento das pessoas em um amplo processo de mobilização e organização social, para o qual devemos considerar e aproveitar a energia direta dos jovens, no enfrentamento dos seus problemas e de sua comunidade, bem como na construção de uma nova sociedade, que será sua herança num futuro muito próximo. O impacto negativo da pobreza sobre os jovens é provavelmente o mais grave, pois interrompe seu processo de crescimento e condena as gerações futuras à pobreza e à morte.
A mobilização da energia popular deve se dar no sentido de buscar novas formas de ver os problemas de cada comunidade e construir com elas os caminhos de solução. Essas soluções devem ser simples, possíveis de ser compreendidas, aceitas e executadas pelos jovens e suas respectivas comunidades.
A mão de obra ociosa pelo desemprego pode ser aproveitada em ações e estratégias que gerem mudanças na paisagem e melhoria da qualidade de vida das comunidades. Empregar para produzir bens e serviços sociais é uma lógica comprometida com resultados sociais, realizando uma dinâmica includente, ética e sustentável.
A solução de problemas emergenciais no nível local, melhora a vida das pessoas, fazendo-as perceber que são capazes e co-responsáveis pela solução dos seus problemas. Aumenta a auto-estima, o autoconceito e a autoconfiança nas suas próprias habilidades, trazendo esperança e fé.
Além da mobilização do capital humano, o investimento em outros capitais se faz necessário. A questão da geração de trabalho e renda constitui-se em uma questão complexa que pressupõe a articulação de muitos fatores para de fato se obter sucesso.
Qualquer estratégia a ser implementada pelo terceiro setor deverá estabelecer parcerias com as instituições de governo locais, que possuem condições e recursos para o estabelecimento de políticas públicas que possam impactar positivamente sobre a questão do desemprego e da pobreza.
A educação é uma das medidas de maior impacto contra a pobreza, pois assim poderá evitar que os jovens de hoje sejam adultos pobres no futuro.
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